Por Cusco

September 1st, 2008

Emendando o último post, dia 15 acordamos cedo e fomos para o aeroporto. Nos recomendaram chegar sempre 2 horas antes do voo, mesmo que seja doméstico, porque as filas nos aeroportos peruanos são sempre grandes. Nosso voo era próximo das 8h30, então deixamos o hotel pouco antes das 6h. Perguntamos na recepção do hotel se chamariam um táxi para nós. Como eu já esperava, a resposta foi ir até a esquina que logo passaria um, mesmo sendo 5h45 da madrugada. De fato, não esperamos nem 5 minutos.

Como chegamos bem cedo no aeroporto Jorge Chávez, praticamente não havia fila no check in da Star Peru, companhia aérea peruana que nos levaria até e Cusco. Os voos pela Star Peru normalmente são bem mais em conta que nas tradicionais Lan e Taca. Em contrapartida, eles operam aeronaves bem mais velhas. Nosso voo foi num Boeing 737-200, antigo mas bem cuidado. Embarque e decolagem no horário, tudo bastante rápido e prático.

Lima, pra variar, sempre cinza. Decolamos da pista 15 e mantivemos a proa da pista (sudeste) por vários minutos, até livrar uma altitude segura pra sobrevoar as cordilheiras. Em seguida que dobramos pra interceptar nossa aerovia pra Cusco, já impressiona a altitude das montanhas e vários picos nevados. Voamos a 35.000 pés, sempre com uma vista estonteante.

O aeroporto de Cusco é um dos mais altos do mundo, a 10.860 pés (3.310 metros) de altitude. Nessa altura, o ar é extremamente rarefeito, então qualquer manobra voando deve ser feita com muito cuidado e geralmente muita velocidade. Antes de decolarmos em Lima, consultei as cartas aéreas de Cusco para ver como seria a aproximação. Embora Cusco esteja a 3400 metros em média, a cidade é um “buraco”, pois está cercada de morros na casa dos 4500 metros. Em função disso, não existe aproximação por instrumentos (ILS), pois é impossível projetar uma longa final em nenhuma das cabeceiras da pista. Sempre vai haver um grande morro a frente. A pista em cusco é a 10-28 (leste-oeste) e só há operações de um lado. Todos os pousos são na 28 e todas as decolagens são na 10, não interessa o vento. É assim pois a única forma de aproximar, e afastar, é a leste-sudeste do aeroporto, onde há um pequeno vale que se pode voar “baixo”. Esse vale não está exatamente na reta da pista. O procedimento de aproximação obviamente é visual. Sobrevoamos o setor sul do aeroporto, circulamos no tal vale, no setor leste, e viemos pra pouso. O alinhamento final é feito próximo à cabeceira, pois há um morro enorme atrás dela. Detalhe: toda essa manobra foi feita mantendo 450-500 km/h. Full flaps só na final, e tocamos na pista a 310 km/h, medidos pelo GPS (ground speed). Muito sinistro. Definitivamente não é qualquer piloto que opera por aqui, ainda mais com um jato.

Chegando em Cusco, e até mesmo já no avião, percebemos a invasão turística do local. A quantidade de japoneses no voo era algo. O aeroporto de Cusco é pequeno, mas é bem arrumadinho. Esperamos poucos minutos para ter nossas malas. Nos dirigimos a uma cabine de táxis e negociamos o táxi até o hotel. Lembre-se que não existe taxímetro por aqui. 6 soles (algo como R$ 3,00) até o hotel, e não era perto. O motorista era muito gente boa, e como era de se esperar, um peruano muito nacionalista (todos são). Brasileiro é muito bem-vindo em qualquer lugar, e ele naturalmente ficou feliz de saber de onde éramos. Nos dirigiu até o hotel falando muito sobre o que podíamos fazer pela região. Enfim, toda a região de Cusco vive praticamente do turismo, e eles se esforçam para tratá-los bem.

Cusco é uma cidade bastante pobre. Seus 350 mil habitantes vivem direta ou indiretamente do turismo. Muita gente vive do artesanato. A quantidade de gente vendendo de tudo nas ruas é impressionante. As pessoas abordam bastante, inclusive crianças pequenas vendendo de tudo. Algumas até imploram para que você compre algo. Chega a dar pena.

A primeira coisa que se percebe ao chegar em Cusco obviamente é a altitude, especialmente para quem não está acostumado. Desde que eu nasci, vivo ao nível do mar, e qualquer coisa acima de 700 metros é considerado serra no Brasil, ou seja, ninguém no Brasil sabe o que é mal de altitude. Na Costa Rica, eu já havia estado por uns momentos a 2800 metros, e senti bastante cansaço ao caminhar. Aqui é tudo ao redor de 3400 metros. Você percebe rapidamente que a sua frequência respiratória e cardíaca aumentam, especialmente ao fazer qualquer esforço, como subir uma escada. Ao chegar no hotel, na verdade uma hospedaria, tinha que subir um lance de escadas. Nunca senti a minha mala tão pesada. Parecia que tinham enchido ela de pedras. Bastou um vão de escada para me deixar com falta de ar e o coração tum-tum-tum-tum. Sempre que os locais recebem um visitante em Cusco, é tradição oferecer antes de tudo um chá de coca, que é um santo remédio para altitude. Todos os hotéis fazem a mesma oferta. Obviamente não dispensamos. :-)

Nos hospedamos na “Hospedaje Monte Horeb”, que fica na rua Juan de Dios (13°31′1.24″S 71°58′53.14″W). Tudo bem arrumadinho, quarto privativo, água quente e Internet wireless. O melhor era a localização, a 200 metros de Plaza de Armas, centrão de Cusco. Hospedagem em Cusco é relativamente tranquilo, pois há milhares de opções, desde hotéis mais tradicionais, e mais caros, até albergues da juventude, bastante baratos. Embora essa região seja uma das mais visitadas do mundo, não existe uma exploração turística muito absurda em termos de preços, pois a maioria dos hotéis e restaurantes é de gente local. Também porque a quantidade de mochileiros é enorme, e essa galera geralmente viaja com grana curta. Pelo jeito, os turistas curtem muito essa coisa de tudo ser regional. Eu, particularmente, acho excelente. Por incrível que pareça, não vi nenhum McDonalds em Cusco. Em Lima, há por todo canto, assim como Starbucks e outras grandes cadeias multi-nacionais.

Nossa estadia em Cusco seria até o dia 20, quarta-feira, para dar tempo de ir a Machu Picchu e conhecer algo do vale sagrado dos Incas. O grande problema é que não tínhamos nada certo para isso. Tentamos comprar os tickets de trem para Machu Picchu via Internet, mas a concessionária da linha de trem, a PeruRail, só aceita cartões Visa que participam do programa Verified by Visa, algo raro no Brasil. O pior de tudo era que quase não havia mais vagas no trens, então tínhamos que correr para conseguir algo por Cusco mesmo. Nosso amigo Daniel nos passou o contato de um agente de viagens de Cusco que podia fazer a mão toda. Chegamos no hotel, arrumamos as coisas e fomos para rua, para conhecer algo do centro e ir até o tal agente.

Chegando na Plaza de Armas, havia uma festinha popular, com um bloco de gente fantasiada e músicos. Não sei exatamente o que estavam celebrando, mas estava bastante divertido e rendeu algumas fotos interessantes. Como carregavam a imagem de uma santa, suponho que fosse algo religioso. A Plaza de Armas é o ponto mais central de Cusco, onde “todo mundo se encontra”. Há algumas igrejas coloniais ao redor, várias agências de viagens, restaurantes, algumas hospedarias e muita gente vendendo de tudo. É um lugar bastante agradável de sentar e ficar observando o movimento de centenas de turistas, e muitos locais, pra todo lado.

Tínhamos o endereço da nossa agência de viagens, mas nenhum mapa nosso mostrava a tal rua. Pedimos informação e chegamos à conclusão de que o tal endereço estava além do mapa, logo era um pouco longe, mas dava pra ir caminhando. Fomos caminhando pela Av. El Sol (foto ao lado), que é uma das principais da cidade, concentrando repartições públicas, bancos, correios, etc. Depois de uma meia hora caminhando e pedindo informação, chegamos no tal lugar. Falamos com o tal agente, que nos deu algumas opções, mas não tinha certeza de nada. Resulta que nada se resolveu e ele ficou de nos ligar antes das 17h00. Como já era meio-dia, decidimos almoçar ali por perto mesmo. Almoço: cebiche e pescado, claro. :-)

Depois do almoço, voltamos tudo pela Av. El Sol, só que agora subindo a avenida. Era uma inclinação pequena, mas me sentia como subindo uma montanha. Como o clima é estupidamente seco nas alturas, o sol frita. A temperatura ao dia estava na casa dos 23 graus. Se você fica na sombra, sente frio, no sol, torra. O negócio mesmo é andar sob o sol, sempre usar um boné ou chapéu e óculos escuros, e claro, SEMPRE protetor solar. No caminho, passamos um centro de artesanato bem legal, onde as coisas eram normalmente mais baratas que com os ambulantes. Como à noite a temperatura é sempre próxima de zero graus, já comprei uma gorra de lã. Ia comprar uma manta também, mas nenhuma me agradou muito. A Tati comprou um casado de lã de alpaca bem legal. Isso no Brasil custaria uma fortuna. A lã é muito boa.

Embora um desafio físico nos primeiros dias, já no primeiro dia simpatizei demais com Cusco. É super agradável caminhar pela cidade. Como pode ser visto nas fotos, as construções são bem antigas e a cidade vive muito esse clima. Eu poderia citar Gramado e Paraty como cidades com um ar semelhante. O trânsito não chega a ser o caos total que é em Lima, mas o povo é o mesmo, e consequentemente, muito chegado numa buzina.

Como no primeiro dia não podíamos fazer muito esforço, ficamos caminhando sem rumo, conhecendo algumas coisas na volta e tomando fotos. Paramos numa praça para tomar café, e lá vinha outra bandinha de rua e uma festinha popular (foto ao lado). Pelo jeito, chegamos num dia animado na cidade.

Veja também: galeria de fotos de Cusco.

To be continued…

Dias seguintes em Lima

August 24th, 2008

Na quarta-feira, dia 13, só tínhamos compromisso à tarde, que seria a última palestra de Tatiana no CONEIS. Como tínhamos a manhã livre, almoçamos e passeamos um pouco por Miraflores, região onde estávamos hospedados.

Até esse dia, não tínhamos nada de moeda local ainda, pois o evento estava cobrindo todas as nossas despesas de alimentação. A facilidade de trocar dólares ou euros no Peru é incrível. Há inclusive gente ambulante na rua fazendo câmbio. O dólar circula oficialmente na economia. É possível inclusive sacar dólares em qualquer caixa automático.

Almoçamos pela Av. José Larco, que é uma avenida onde ficam vários comércios de Miraflores. No início dessa avenida, junto ao Oceano Pacífico, fica um centro comercial chamado Larcomar, que é bastante interessante. Embora Lima seja uma cidade na beira do mar, boa parte dela está em torno de uns 100 metros de altitude. Essa camada de rochas vai até o oceano praticamente. O Larcomar foi construído justamente nessa encosta. Você entra pelo andar mais alto e vai descendo. Há vários restaurantes, lojas, museus, cinemas, etc. A vista é fantástica. No álbum de Lima há algumas fotos tomadas aí. Uma pena que Lima nesta época está sempre cinza. A umidade é muito alta, pois as nuvens estão mais baixas que as cordilheiras e ficam trancados sobre Lima.

Às 16h30 foi a palestra da Tatiana sobre o InVesalius. O pessoal ficou bastante interessado com a solução, e também bastante curioso com os modelos de prototipagem rápida apresentados, como pode ser visto nas fotos do evento.

Nossa participação no evento terminou nesse dia. Nos agradeceram a participação formalmente e nos presentearam com um bonito troféu de vidro.

Na noite da quarta-feira fomos com Daniel até a Asociación Cultural Brisas del Titicaca, que é um clube bastante tradicional de Lima, onde se pode ver várias danças típicas. Vimos vários tipos de danças provenientes de diversas regiões do Peru. A dança mais típica do país é a Marinera, que pode ser vista no vídeo a seguir:

Fiquei impressionado com a habilidade do garoto. Depois daí, nos despedimos de Daniel, que viajou para Tacna, sua região natal, no dia seguinte.

A quinta-feira, dia 14, foi um dia todo livre em Lima. Fomos visitar o sítio arqueológico Huaca Pucllana, que fica em Miraflores, a uns 15 minutos de nosso hotel, caminhando. Coordenadas: 12° 6′40.70″S 77° 1′59.60″W. Huaca Pucllana é um sítio da Cultura Lima, que viveu entre os anos 200 e 700 depois de cristo, bem antes dos Incas. Parte do que eles construíram foi preservado nesse complexo. Os Limas foram uma das várias sociedades que existiram no Peru. Clique na foto ao lado para ver o álbum que fizemos aí.

Tatiana perguntou aí que outros lugares seriam interessantes de a gente conhecer em Lima. Nos recomendaram o Parque de la Reserva, que teria um espetáculo interessante de águas. Pegamos um táxi com um senhor muito simpático depois de perguntar se ele sabia onde ficava o tal lugar e negociar o preço. Ele nos comentou que o tal parque era bastante e bonito e tal. Não sei o que se passou pela cabeça do velho, mas ele nos deixou em outro parque, o Parque de La Exposición (12° 3′44.70″S 77° 2′10.08″W). Como a gente não sabia, saímos caminhando por aí e não achamos nada de interessante com água. Alguns minutos depois, perguntamos a um policial, que nos disse que estávamos no lugar errado. A sorte que o outro parque era perto, então fomos caminhando.

Entre um parque e outro, fica o Estádio Nacional (12° 4′2.39″S 77° 2′1.26″W), que é geralmente onde acontece os jogos da seleção peruana. Tentamos entrar para ver o campo, mas todos os portões estavam fechados.

Finalmente conseguimos chegar no Parque de La Reserva (12° 4′15.31″S 77° 1′58.54″W), onde fica o Circuito Mágico del Agua. O local foi construído há um ano e possui uma infinidade de jatos de água ornamentais. Pra quem curte água, vale a pena visitar. O negócio é muito bonito, especialmente à noite, quando eles misturam tudo isso com iluminação colorida, inclusive com efeitos de raios laser, tudo ao som de música clássica de fundo. É também um belo lugar para um bom desafio fotográfico. Fotografar água é super interessante, pois dependendo da velocidade do obturador, você extrai fotos completamente diferentes. Como você pode ver nas fotos que eu tomei, a maioria foi feita com velocidade baixa, em torno de 1/10s, para realçar o movimento da água. Na correria de viajar, esqueci o tri-pé da câmera em casa. Com ele, teria feito fotos espetaculares. :-(

Saímos do parque à noite e fomos jantar na famosa Calle de Las Pizzas, em Miraflores, onde várias pizzarias e outros restaurantes ficam lado a lado disputando os clientes, na sua grande maioria turistas, como nós.

Na sexta-feira, dia 15, voamos para Cusco, assunto do próximo post.

Abraços.

Lima, Peru

August 20th, 2008

Cada vez que se chega em uma cidade pela primeira vez, sempre existem algumas coisas que nos chamam a atenção logo em seguida. Em Lima, a primeira coisa que observei foi a total desordem no trânsito. Tudo é a base da buzina. Os motoristas são completamente desesperados. Por qualquer coisa, se mete a mão na buzina. Como no Brasil, faixa de pedestre é meramente ornamental. Mas a coisa por aqui é bem mais perigosa. Não se atreva atravessar a rua sem antes se certificar que o caminho está seguro. O estranho é que a coisa funciona e não se vê acidente.

Outra coisa que chama bastante atenção é a frota. A grande maioria dos veículos (carros, utilitários, ônibus…) está caindo aos pedaços. No Peru, diferentemente que no Brasil, é permitido importar carros usados. Em vários outros países isso é bem comum também. O que se vê nas ruas do Peru é o que rodou alguns anos atrás na Coreia do Sul, principalmente. A importação de carros daquele país é massiva. O mais curioso é que até os ônibus são importados usados de lá. Manutenção é besteira. É difícil ver um carro muito inteiro. Andamos num táxi, que um dia foi batido e o air bag abriu, destruindo obviamente o volante. O volante foi colado com aquelas colas plásticas muito bagaceiramente. Os carros novos custam a metade do preço que no Brasil, mas o poder aquisitivo do povo é mais baixo. Além disso, o acesso ao crédito por aqui é bastante difícil, então o normal é comprar qualquer coisa usada importada, se pagando à vista.

Outro aspecto bastante interessante, ainda na questão viária, são os táxis. Tudo é extremamente informal, nada de taxímetro. A tarifa é negociada antes de entrar no carro, e o motorista pode, na cara de pau, não querer fazer a corrida, o que não é um problema, porque para onde você olha, sempre (repetindo, sempre) vem passando um táxi. Táxi é muito barato, então é um meio de transporte super comum. Com 10 soles (algo como R$ 6,00) você percorre um grande trajeto. Os motoristas de táxi são os campeões na desordem do trânsito. Param em qualquer lugar, trancam tudo, se jogam uns por cima dos outros disputando passageiros, uma zona… Os carros, obviamente, tudo quase se desmanchando. A maioria esmagadora dos táxi são os Daewoo Tico. Se você acha um Ford Ka pequeno, você nunca viu um Tico pela frente. Clique na foto ao lado e veja. O mais interessante é que são espaçosos por dentro, pois porta-malas é algo desnecessário. Ainda que seja meio bagunçado, é mais fácil, e muuuito mais barato, andar de táxi por aqui do que no Brasil.

Como chegamos em Lima próximo da hora do almoço (o fuso horário aqui é UTC-5), deixamos as tralhas no hotel e fomos almoçar na redondeza, em Miraflores. Aqui não existe a tradição de buffet do Brasil. Tudo é a la carte, o que é um desespero para mim, pois sou o rei da indecisão quando me deparo com um cardápio. Nada como se servir, pesar, comer, pagar e ir embora. Enfim, como o tradicional por Lima é comer peixe, pedi um peixe, claro. Logo que sentamos, o garçom já apareceu com uma bebida que me chamou a atenção. Se chama “chicha de maiz morada”, e é feita a base de milho. Extremamente tradicional no Peru e desconhecida no Brasil. Muito boa. Você toma um gole apenas e imediatamente já sabe que é feita de milho.

Depois do almoço, fomos para Círculo Militar, onde foi realizado o evento. O lugar era um pouco distante (veja no Google Maps). Levamos como uma meia hora de táxi, e nos custou apenas 10 soles. O CONEIS é um evento estudantil, que trouxe gente de 65 universidades de todo o país. O público era em torno de 2400 pessoas. A estrutura do evento era bem simples, com um grande auditório montado sob uma lona. Nada de exposição. Embora simples, a infra estava legal, com três bons projetores e uma boa sonorização. Havia também algumas outras atividades em paralelo, como oficinas práticas, mas não chegamos a visitar essas instalações.

Quando chegamos no evento, logo em seguida foi a sessão de abertura. Entre os que discursaram, estava o Ministro de Vivienda, Construcción y Saneamiento Enrique Cornejo (foto ao lado). Na sequência, seria a palestra do Corinto Meffe, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão do Brasil. Corinto teve problemas com sua viagem e não pôde comparecer ao evento. A palestra seria sobre o Portal de Software Público. Como Tatiana participa também desse projeto, ela o substituiu na palestra.

Como estrangeiro geralmente é celebridade em qualquer lugar, ao final da palestra da Tatiana, uma multidão se juntou para tirar fotos e dar um “hola”. Embora seja um pouco cansativo, e geralmente gera uma certa desordem no evento, é importante motivar essa gurizada a seguir em frente estudando. Essa era a nossa missão.

Mais fotos do evento no Gallery.

No dia seguinte, terça-feira, foi o dia da minha palestra. Ela estava marcada para meio-dia, mas como nesse dia choveu muito pela manhã, e o auditória era de lona, tiveram que atrasar todo o cronograma para evitar um possível desabamento da estrutura. Felizmente nada de errado ocorreu com a estrutura, mas minha palestra foi começar só às 18h15, após algumas mudanças na ordem das palestras. Eu achei até melhor assim, pois um ambiente escuro ajuda na projeção. A palestra foi sobre telefonia IP (VoIP). Como o público era de estudantes universitários de todos os níveis, toquei o assunto de uma forma mais introdutória, falando bastante de conceitos e da evolução na tecnologia telefônica. Falei bastante de Asterisk também e dei vários exemplos de funcionalidades possíveis.

Foi bem legal, a galera pareceu prestar bem atenção e vieram perguntas bem pertinentes no final. Da mesma forma, ao final da palestra, a galera se juntou para tirar fotos. Naturalmente o assédio foi menor que com a Tatiana. :-)

Com todo o atraso da palestra, fomos até a Universidad Inca Garcilazo de la Vega, onde nós vamos dar outra palestra no próximo dia 20, para conhecer o local e almoçar com o pessoal que está organizando esse evento. Lá encontramos com Santiago e Evelin, e fomos a um restaurante para comer o tal cebiche, que é a comida mais famosa do Peru. Como eu adoro frutos do mar, naturalmente o cebiche me caiu muito bem. Publiquei algumas fotos dos pratos na galeria.

Novos posts por vir: alguns passeios em Lima, Cusco, Machu Picchu, Vale Sagrado dos Incas…

Já estou publicando, pouco a pouco, as fotos no Gallery.

Saludos.

Pelo Peru, finalmente

August 17th, 2008

Depois de adiar algumas vezes, finalmente estou agora escrevendo do Majestoso Peru. Minha namorada Tatiana e eu fomos convidados para palestrar na 16ª edição do CONEIS (Congreso Nacional de Estudiantes de Ingeniería, Informática y Sistemas), que aconteceu em Lima, capital do Peru, nesta semana do dia 11 de agosto de 2008. O convite veio por intermédio do amigo peruano Daniel Yucra, que conheci em 2005 em um evento no Recife - PE.

A viagem foi mega correria. Minha irmã Liziane se graduou em Administração de Empresas e a festa de formatura foi um dia antes desta viagem. Sexta-feira à noite fui a Rio Grande de carro (310 km) para a formatura. Domingo saí de lá antes do almoço de regresso a Porto Alegre, de onde eu peguei o voo às 19h20 para São Paulo. A ideia era chegar em casa até umas 16h30 para dar tempo de fazer a mala com calma e organizar as coisas. Resulta que peguei trânsito na volta e cheguei em casa beirando 18h00. Em 20 minutos “organizei” tudo e me toquei pro aeroporto. A fila da Tam, pra variar, estava quilométrica. Pelo menos para algo serve ter cartão fidelidade vermelho, pois a fila é separada e raramente há alguém nela. Fui o último embarcar e o voo saiu exatamente no horário. Se eu tivesse chegado com folga no aeroporto, certamente o voo teria atrasado. Lei de Murphy.

Chegando no aeroporto em Guarulhos, fiz a declaração de saída temporária de bens na Receita Federal. Meu laptop já não precisa mais disso, pois está bem arranhado e com mais de dois anos no pau. Declarei a câmera, as lentes e o flash. Pra quem porta câmera fotográfica amadora (das pequenas), a Receita não exige mais declaração. Daí, fui para o hotel onde Tatiana já estava me esperando. Sono rápido, pois 6h00 da manhã já partimos de volta pro aeroporto. O voo para Lima estava marcado para às 8h25.

Los Andes

Los Andes

Nosso voo foi comprado na Tam, mas foi operado pela LAN Peru. Check in muito eficiente e tudo no horário. Voamos num Airbus A319 configurado em uma classe apenas. Me impressionou o conforto a bordo, especialmente em dias que as companhias estão transformando os aviões em ônibus apertados. O espaço entre as poltronas é excelente (e eu tenho 1,87m) e os assentos todos de couro. Eu já tinha voado essa rota São Paulo - Lima em 2006, indo para a Costa Rica. Foi o voo mais lindo que fiz na vida, e já sabia o que nos esperava. Sobrevoar a Cordilheira dos Andes é majestoso. Alguns picos chegam a uns 6 mil metros. Considerando que voamos a 34.000 pés (10.363 metros), a sensação que se tem é de estar voando muito baixo. Me impressionou ver o Lago Titicaca, fronteira Peru - Bolívia, com tão pouca água. Da outra vez fiz esse voo em fevereiro e ele estava muito cheio.

Como já era de se esperar nesta época, Lima estava com céu bem fechado. Quando se está voando pra Lima, a descida começa praticamente sobre Lima, pois a cordilheira vai muito alta até o Oceano Pacífico. Praticamente a gente despencou de 34 mil pés para a aproximação fazendo um grande círculo sobre o oceano até entrar na final da pista 15, dotada de ILS (pouso por instrumentos). Pousamos 15 minutos antes do previsto, após 4h40min de viagem. A primeira coisa que me chamou a atenção é que não foi usado reversores para desacelerar. Vários aeroportos no mundo estão proibindo o uso de reverso por causa do barulho. Claro que, isso é um luxo para aeroportos com pistas longas. Lima tem apenas uma pista, mas com 3500 metros e está 34 metros acima do nível do mar.

A imigração foi bastante rápida. Pegamos a bagagem, passamos tranquilo na aduana e ligamos para Daniel, que estaria nos esperando aí. Ele recém tinha aterrissado também, vindo de Cusco. Nos encontramos alguns minutos mais tarde e aguardamos o pessoal da organização do evento, que veio nos buscar de van. Em seguida chegou Stefani, da organização do evento, para nos buscar. Gente finíssima, boa anfitriã. Nos levaram direto para o hotel.

Ficamos hospedados no Hotel Suites Eucalipitus, melhor localização impossível, bem no coração de Miraflores, bairro mais famoso de Lima. Miraflores é um bairro bastante sofisticado, muito turístico, com centenas de lojas, restaurantes, bares e tudo mais para atrair visitantes. Veja no Google Maps onde ficamos.

Escrevo na sequência falando sobre o evento e o resto da viagem. Com o tempo, vou postando algumas fotos.

Saludos!

A cidade das mangueiras

July 30th, 2008

Estive na última semana, pela primeira vez, no estado do Pará, para fazer um serviço em um cliente na capital Belém, conhecida como a Cidade das Mangueiras. Viagem rápida, indo quarta-feira e voltando no sábado. Praticamente não ia dar pra ver nem conhecer nada.

Chegando lá, entrei em contato com meu amigo Reinaldo. Saímos pra tomar um chopp na quinta-feira à noite e encontramos por acaso com uma amiga dele, Lucy e suas primas Claryce e Karlla. Já tinha companhia para os próximos dias. Todos estariam livres no sábado e surgiu a possibilidade de irmos visitar umas praias. Em função disso, remarquei minha volta para o domingo.

Mosqueiro, Belém

Mosqueiro, Belém

Sábado fomos visitar a ilha de Mosqueiro, que faz parte do município de Belém. Veja no Google Maps bem onde fica. Bastante interessante, com praias em todo o contorno da ilha, que é banhada em boa parte pela Baía de Marajó, que faz parte do Delta do Amazonas. É nessa região que o imenso Rio Amazonas se encontra com as águas do Oceano Atlântico. Como se pode observar no mapa, a região é cercada de ilhas e afluentes. Uma pena que não tive tempo para fazer algum passeio de barco.

Belém é a maior região metropolitana da Amazônia, com uma população total em torno de 2 milhões de habitantes (1,4 milhão no município). Embora seja uma cidade bastante grande, é apenas a 23ª cidade mais rica do Brasil, bastante atrás de Manaus, que ostenta a 7ª posição, graças ao pólo industrial. Mesmo assim, fiquei bastante contente em ver que a cidade está crescendo bastante. A construção civil está muito forte, e se houve falar muito disso por lá. Me chamou muito a atenção a altura dos edifícios. Uma construtora está em fase de acabamento de dois edifícios residenciais gêmeos de 40 andares cada, que vão ser as maiores torres da Amazônia. É bastante comum ver edifícios com mais de 30 andares. Com uma vista daquelas, não é de se admirar o porquê de tanta altura.

Moro há 7 anos em Porto Alegre, e desde muito antes que vim pra cá, escuto falarem da revitalização do cais do porto, que está abandonado. Uma área de uma vista lindíssima que poderia ser muito explorada para o lazer. Belém fez o dever de casa nessa parte. Criaram a Estação das Docas onde um dia foi o porto. Todos os armazéns foram restaurados, colocados paredes de vidro para os dois lados, e vários restaurantes e bares se instalaram por lá, algo que me lembrou bastante o Puerto Madero em Buenos Aires. Tudo foi feito com bastante elegância, simplicidade e segurança. E pelo jeito o povo aprovou, pois vive cheio.

Como não podia ser diferente, a culinária nessa região sempre impressiona, especialmente quem gosta de frutos do mar, como eu. Como peixe é luxo total no sul, aproveitei e almocei e jantei peixe todos os dias. Camarão lá tem por todo canto e feito de tudo quanto é jeito. Voltei certamente com uma overdose deles no organismo. Que me perdoem os Manauaras, mas em termos de culinária, Belém dá de dez a zero em Manaus.

Obviamente fiz várias fotos. Postei um álbum completo no meu Gallery e as melhores fotos no meu Flickr.

Voltei contente com a viagem. Além de ter cumprido a missão, fiz novas amizades bem legais e conheci um canto do Brasil que ainda não conhecia. Espero poder voltar em outra oportunidade.