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Machu Picchu #2 e o Vale Sagrado dos Incas

Sunday, November 23rd, 2008

Finalmente o último relato, sim, bastante atrasado. :-( Mas antes tarde do que nunca.

Ao chegar em qualquer sítio arqueológico, os guias vão sempre lhe metralhar de informações, o que é legal e tal, mas tem horas que você quer apenas ficar em silêncio admirando a paisagem. É assustador a quantidade de guias em Machu Picchu, falando diversos idiomas e com grupos de tudo que é canto do planeta. Afinal, é um dos lugares mais visitados do mundo. Nosso guia Johnny era bem gente boa, explicava as coisas com um certo humor e dava tempo para todo mundo tomar fotos, admirar, etc.

Ninguém sabe ao certo a origem de Machu Picchu, o que torna a coisa mais interessante ainda. É curioso ouvir a opinião dos locais, que geralmente são bastante divergentes. Existem várias lendas, umas mais concretas, outras mais divinas. Cada um acredita no que quiser. De acordo com pesquisas científicas, sabe-se que a cidade foi criada no século XV, por volta do ano de 1460. De todas as grandes construções Incas, Machu Picchu foi a mais moderna e supostamente a mais sagrada.

Quando os espanhóis chegaram no início do século XVI, eles dizimaram os Incas e destruíram muitas de suas construções. Em Cusco, por exemplo, há várias construções coloniais que foram feitas sobre os templos Incas, para afirmar a superioridade dos “conquistadores”. Porém, os espanhóis nunca encontraram Machu Picchu, e a cidade ficou perdida por séculos, conhecida apenas por agricultores da redondeza, que não davam bola pro local, pois era de difícil acesso e não servia muito pra agricultura.

Sabendo da possível existência da cidade sagrada, o historiador explorador americano Hiram Bingham, com a ajuda dos agricultores locais, achou a cidade abandonada em 1911 e anunciou o fato para o mundo. Machu Picchu sofreu então um grande trabalho de limpeza e em seguida foi montada uma grande estrutura de acesso, com linha férrea e uma estrada de terra pra subir a montanha, assim se tornando umas das atrações turísticas mais importantes do mundo, e a principal fonte de renda do Peru. Bingham levou toda a fama de o “descobridor”, mas de acordo com os locais, ele não passava de um explorador atrás de fama e dinheiro. Bom, certamente o conseguiu e de certa forma teve seu mérito.

Das teorias sobre o que aconteceu com a cidade, se ouve de tudo, como uma grande epidemia que matou todo mundo, mas curiosamente nunca foi encontrado nenhum fóssil por ali; uma possível guerra entre os Incas e os conquistadores, mas curiosamente tudo estava intacto e não havia rastro de sangue… A teoria que mais se sustenta é que os Incas, ao saber da invasão espanhola, que já tinha chegado em Cusco e arredores, abandonaram a cidade voluntariamente e fecharam todos os seus acessos para protegê-la, pois era o sítio mais sagrado deles. Provavelmente retornaram em direção a Cusco, onde foram todos mortos pelos espanhóis, que então nunca ficaram sabendo de Machu Picchu. O único acesso que existia nessa época era a famosa Trilha Inca.

Enfim, há muito o que ler (e escrever) sobre Machu Picchu, e não é o propósito deste post servir como uma referência. Certamente vale mais a pena ler o artigo da Wikipedia sobre o assunto.

A visita à cidade é de certa forma bastante rápida. Se gasta muito mais tempo para chegar lá e voltar do que se gasta na visita em si. Por volta das 14h00 já havíamos descido de volta a Machu Picchu Pueblo, onde almoçamos e ficamos passeando. Veja algumas fotos da cidadela, que é super interessante e bem pequeninha. Diferente de Cusco, tudo é extremamente caro por aqui. Como a grande maioria dos turistas vem de países ricos, pra eles é bem tranquilo. Nós sentimos a diferença. A estrutura é bem decente, com vários restaurantes bons, pousadas bem arrumadas e artesanato por todo lado, claro.

Dormimos cedo, pois tínhamos que estar na estação de trens para tomar o primeiro trem para Ollantaytambo, que partia às 5h30. Chegamos na estação antes das 5h00 e já havia fila. A viagem de volta foi bem tranquila e dormimos boa parte do tempo. Chegamos na estação de Ollantaytambo pouco depois das 8h00. Nosso guia, Jonathan, já estava nos esperando conforme o combinado, para nos conduzir pelo Vale Sagrado e então de volta a Cusco.

Normalmente as visitas ao Vale Sagrado dos Incas sempre são feitas no sentido Cusco - Ollantaytambo, partindo de manhã de Cusco. Nossa ideia era fazer do mesmo jeito, porém tivemos que mudar nosso plano para se encaixar com a disponibilidade do trens. No fim ficou até melhor, porque ao fazer o caminho no sentido inverso, pegamos quase todos os sítios com bem pouca gente, então deu pra aproveitar bem mais, especialmente para fotografia.

Começamos pelo próprio Sítio Arqueológico de Ollantaytambo, que fica bem próximo à estação de trens. Como pode ser visto nas fotos do local, os Incas construíram nas colinas diversas terraças. Dizem que elas foram feitas para experimento de plantio em altitudes diferentes. Com isso, eles podiam determinar qual a melhor altitude, e consequentemente temperatura, que cada alimento cresceria melhor. Não é por acaso que Ollantaytambo é também conhecida por ter o melhor milho do Peru, e talvez do mundo. É incrivelmente grande e saboroso. Se planta também muita batata por aí, e eles dizem que há mais de 400 espécies diferentes de batata na região.

Uma das coisas mais curiosas é que eles armazenavam a produção em pequenas cavernas abertas nas rochas, como pode ser visto na foto ao lado. Dizem que isso era feito devido à boa ventilação do local, fazendo com que o alimento durasse mais. Eles construíram também sistemas de ventilação nas rochas para melhorar ainda mais o efeito.

Partimos daí em direção a Pisaq (13°24′20.83″S 71°50′29.18″W), que fica a uns 50 km a leste de Ollantaytambo, já na estrada asfaltada. No caminho, passamos por várias cidadezinhas legais, como Urubamba, Calca, Coya, entre outras. Pisaq, ou Pisac, foi a minha maior surpresa da viagem toda. O sítio é imenso e extremamente bonito. Foi construído bem antes de Machu Picchu, porém não se sabe exatamente quando. Ouvimos falar em algo como o século XII. Nota-se bem que o estilo de construção não é tão moderno, as pedras não são tão bem talhadas, etc. É impressionante ver as diferenças no processo de construção dos locais. Percebe-se claramente o quanto a coisa ia evoluindo com o passar dos anos.

Pelas vistas, dá para notar o altura do lugar. A altitude média do sítio é de 3500 metros e durante a visita é um sobe e desce infernal. De todos os lugares que visitamos, esse foi onde eu mais senti a altitude e os joelhos. Não espere por escadas regulares com corrimão por aqui, muito menos elevadores e escadas rolantes. Isso não é Disneylândia. O negócio é pedra irregular mesmo, adrenalina! Como recompensa, uma natureza estonteante. A vista lá de cima é de arrepiar.

O Peru é muito conhecido por Machu Picchu, mas na verdade há muito mais o que ver. Uma pena que o turismo foque tanto em uma coisa só. Não deixe de visitar Pisaq com calma. Dê uma olhada no album de fotos feito lá.

Descemos das ruínas para o centro de Pisaq, onde tem um famoso mercado popular aos domingos, mas passamos aí na segunda-feira, aí tem bem menos gente. Almoçamos por aí com calma e visitamos algumas tendas. Mais e mais artesanato, pra variar.

Saindo de Pisaq, no caminho de volta a Cusco, paramos em Awana Kancha, que é meio que um sitiozinho bem legal com uma criação dos animais mais tradicionais do Peru: a lhama, alpaca, vicunha e guanaco. As primeiras duas são muito dóceis, e você pode caminhar no meio delas tranquilamente, inclusive dando-lhes comida. Já a vicunha e o guanaco são bastante selvagens, então ficam numa área isolada um pouco a distância.

Chegamos em Cusco no final da tarde mortos de cansado. Descansamos um pouco, saímos pra jantar e capotamos. Não tínhamos nada marcado para a terça-feira 19, então tiramos o dia para passear por Cusco, visitar alguns museus, etc. Complementei o album de Cusco com as fotos do dia 19, algumas bem interessantes.

Na quarta-feira 20, voamos de volta para Lima, onde daríamos cada um uma palestra naquela noite na Universidade Inca Garcilaso de la Vega. Na decolagem em Cusco, vi bem por que a pista do aeroporto tem quase 4 km de comprimento. Com o ar extremamente rarefeito nessa altitude, fica muito difícil acelerar o avião, por mais motor que se tenha. Voamos num quadri-jato BAe 146 da British Aerospace, avião muito tosco, asa alta, quadro motores turbo-fan, mas bem gostoso de voar. Mesmo com os 4 motores full power, comemos quase toda a pista para decolar e ganhamos altitude muuuito vagarosamente sobre um pequeno vale a sudeste de Cusco. Ao redor, montanhas imensas cercando tudo. Só após livrarmos um 20.000 pés de altitude, demos a volta aproando Lima.

Quando pousamos em Lima, os pulmões agradeceram por respirar ar úmido e com muito oxigênio. A diferença é brutal. O pessoal da universidade já estava nos esperando. Nos levaram até o hotel para deixar as bagagens e alguns minutos mais tarde fomos para o local das palestras. Era um auditório fechado dentro da universidade e estava bastante lotado. Imagino que tinha umas 200 pessoas no máximo. Demos as mesmas palestras apresentadas no CONEIS na semana anterior. Como tinha bem menos gente, foi mais bacana e interativo.

O pessoal da universidade, especialmente Santiago e Evelyn, que organizaram tudo, foi extremamente receptivo. Depois da palestra, saímos todos para jantar com mais um pessoal da universidade. Mais um pouco de comida típica, sempre maravilhosa. Saindo daí, fomos para o hotel e dormimos pouco, pois tínhamos que estar no aeroporto às 5h30 no máximo. Nosso voo de volta para o Brasil decolou logo após às 7h00 de Lima. Voamos de volta num Boeing 767-300 da Lan, bastante confortável e com um serviço de bordo muito bom. Parabéns pra Lan. Pousamos tranquilamente em Guarulhos às 13h50. Bagagens, aduana, tudo tranquilo. Peguei o voo para Porto Alegre às 16h45 e Tatiana foi de ônibus do aeroporto direto pra Campinas, encerrando os 12 dias de viagem pelos Andes.

Essa foi uma viagem que eu queria fazer já havia algum tempo. Sempre li bastante a respeito do Peru, especialmente sobre sua cultura e história. Meu tio Iram, grande viajante, já havia estado lá e também fez boas recomendações. Definitivamente é um país que merece ser visitado. É uma viagem bastante barata e muito rica culturalmente, uma viagem que certamente faz você rever alguns valores, prestar atenção nas coisas simples e principalmente na natureza. É muito bonito ver um povo que possui um grande amor por sua terra e sua nação, certamente algo que não se vê por aqui no Brasil, exceto em épocas de copa do mundo.

Fiquei muito feliz com a hospitalidade. Muitas pessoas ficavam bastante curiosas, e até muito contentes, por eu falar espanhol com fluência e entender perfeitamente 100% do que eles falam. Isso é uma coisa super legal e me sinto muito feliz por ter tido a oportunidade de aprender (e continuo estudando) espanhol bem. Seguramente a minha experiência com essa viagem não teria sido a mesma caso contrário.

O grande valor em uma viagem como essa é saber que você voltou melhor do que foi. Para muitos pode parecer mais um país pobre da América do Sul. Eu diria que certamente eles têm muito a lhe ensinar. Vá e veja com os próprios olhos. Depois me conte como foi a experiência. ;-)

Bon voyage.

Machu Picchu

Sunday, October 19th, 2008

A correria andou grande nas últimas semanas e não tenho tido tempo para escrever. Mas vamos lá. Quanto mais o tempo passa, mais a gente esquece, e os relatos acabam não ficando tão fiéis.

Na sequência do post anterior, o motorista de táxi chegou no hotel para nos pegar às 5h20 da madrugada. Difícil acordar a essa hora com tanto frio. A temperatura nessa hora do dia está normalmente ao redor de zero graus. Nosso trem partindo de Ollantaytambo era às 8h00, então tínhamos 3 horas para percorrer o trajeto entre Cusco e Ollantaytambo. Bastante razoável.

Esse mesmo caminho pode ser feito também por via férrea, mas não é recomendável. Como falei antes, Cusco se encontra numa altitude média de 3400 metros. Já Ollantaytambo está situado a 2800 metros, pois está no Vale Sagrado dos Incas. A descida é extremamente íngreme, pois a média de altitude ao redor do vale é de 3800-4500 metros, e o vale é incrivelmente estreito. Literalmente uma fenda no meio da cadeia das imensas montanhas andinas. Em função disso, a viagem de trem é muito demorada, pois o trem precisa andar muito devagar e fazendo curvas com muito mais raio que um carro. Além disso, é quase impossível conseguir passagem de trem nesse trecho na alta temporada, pois são poucas as frequências diárias.

Partimos do hotel algo como 5h35 em direção à Urubamba (-13° 18′ 39.90″, -72° 6′ 54.77″), que é a cidadela que dá nome ao famoso Rio Urubamba, que percorre todo o vale. A estrada que vem de Cusco desce o vale chegando em Urubamba, que fica à noroeste de Cusco, 27km em linha reta, embora a distância percorrida seja o dobro disso ou mais, por causa da estrada sinuosa. De Urubamba para Ollantaytambo o caminho é plano, todo a 2800 metros, em um trecho de 20km mais ou menos.

Salkantay

Salkantay

Durante a viagem, ainda antes da descida para o vale, podemos ver a magnificência dos picos andinos, especialmente o Monte Salkantay (foto ao lado), com sua incrível altitude de 6271 metros, ainda que ele seja apenas o décimo quinto pico mais alto no Peru. Veja outras fotos desse caminho.

Chegamos em Ollantaytambo (-13° 15′ 47.30″, -72° 16′ 10.49″) às 7h00. Ollantaytambo é o último ponto da estrada no vale, pois daí em diante, até Machu Picchu, a colina é muito estreita e não há condições para se construir uma estrada. Há apenas a linha férrea que vai sempre margeando o Rio Urubamba. O mesmo taxista, e também guia turístico, Jonathan, iria nos buscar no próximo dia para fazermos o Vale Sagrado dos Incas. Combinamos com ele certinho o horário e ele se foi de volta a Cusco.

Como tínhamos ainda algum tempo e estávamos com fome, pois saímos do hotel antes do café da manhã, tomamos um desalluno num barzinho próximo à estação de trens. Logo de cara já deu pra perceber que o povo de Ollantaytambo é muito amigável e extremamente receptivo. É de se esperar de fato, pois para qualquer lado que se olhe, é uma quantidade incrível de turistas.

Nosso trem partiu às 7h50 (10 minutos adiantado) em direção à Machu Picchu Pueblo (13° 9′18.53″S 72°31′27.05″W), antes mais conhecida como Aguas Calientes. É fácil perceber o porquê de não haver uma estrada ali. A coisa realmente é muito fechada. Em vários trechos eu perdia a sincronia do GPS, pois o aparelho não conseguia receber o sinal de três satélites pelo menos, uma vez que era difícil ver uma boa porção do céu. A viagem de uns 45km tarda em torno de 1h30min.

Desembarcamos em Machu Picchu Pueblo às 9h15 e saímos caminhando para achar nosso guia, que supostamente estaria nos esperando na estação de trens. Esperamos algum tempo e nada, então resolvi ligar pro camarada. Celular desligado, puta que pariu. Bom, resolvemos achar o hotel e depois tentar contato com o guia por telefone novamente.

Machu Picchu Pueblo é um pequeno povoado situado a 2100 metros de altitude. A cidadela fica no pé de Machu Picchu. Como não há infra-estrutura em Machu Picchu, todo mundo se hospeda, se alimenta, etc, em Machu Picchu Pueblo. Para onde se olha, é só restaurantes, hotéis, pousadas, etc, tudo em função dos milhares de turistas que chegam na cidade todos os dias. Para se ter uma ideia, a média é de 3 a 4 mil visitante todos os dias, de todos os cantos do planeta.

Como são tantos hotéis e tudo com nomes semelhantes (geralmente algum nome Inca), entramos no hotel que julgamos ser o nosso e perdemos um tempão ali pois não achavam a nossa reserva. Claro, estávamos no hotel errado! Quando a Tatiana achou o voucher, a atendente nos deu a má notícia. Enfim, caminhamos mais alguns poucos metros e chegamos no hotel que de fato era o nosso. Como chegamos cedo demais, não havia quarto vago. A diária oficialmente começaria apenas ao meio-dia. A recepcionista pediu logo para o pessoal da limpeza agilizar a entrega de um quarto para que pudéssemos pelo menos largar as nossas tralhas e subir pra Machu Picchu. Em 20 minutos, estávamos no quarto, finalmente.

Respirar a 2100 metros nunca foi tão maravilhoso, comparado com os 3400 metros que estávamos em Cusco. Dava muito gosto de encher o pulmão de ar e sentir um pouco mais de oxigênio entrando em cada tragada.

Nosso guia, Johnny

Após descansar um pouco, tentamos contato com o guia novamente. Ele nos atendeu e disse que esteve nos esperando na estação quando o trem chegou. Não quis entrar no mérito e perguntei onde podíamos achá-lo. Combinamos de nos encontrar na estação dos ônibus que sobem para Machu Picchu dentro de 15-20 minutos. Assim o fizemos. 10h20 chegamos na estação de ônibus e encontramos o guia, Johnny, figura muito gente fina, que nos guiou por toda a visita à cidade sagrada.

Vale Sagrado dos Incas

Vale Sagrado dos Incas

Machu Picchu está situado a 2450 metros de altitude, quase 400 metros acima de Machu Picchu Pueblo. Esse trajeto só pode ser feito por um ônibus especial que parte a cada poucos minutos. A subida é um zigue-zague total, e quanto mais subíamos, mais magnífica ficava a vista do vale sagrado (veja foto ao lado). A única alternativa ao ônibus, que custa US$ 14,00 ida-e-volta (assalto!), é subir a pé, o que leva em torno de 1h30min e um esforço físico enorme, pois é uma subida muito íngreme.

Poucos antes das 11h00 estávamos no portal de entrada. Ali deixamos os pertences que não íamos utilizar, como casacos, etc. Por via das dúvidas, eu subi com um casaco, pois as mudanças de temperatura em altitude são muito bruscas. Como estava um sol animal, deixamos as roupas quentes no maleiro. Na sequência, organizamos o nosso grupo com o mesmo guia, que era em torno de 12 pessoas, todos latinos. Só nós dois éramos brasileiros. Havia colombianos, peruanos e costa-riquenhos também no grupo.

Passamos o portal de entrada e seguimos pelo trajeto recomendado, que começa por uma vista geral de Machu Picchu a partir de um ponto alto da cidade. Esse foi o momento que mais senti falta da minha lente grande angular 28mm, que esqueci em casa em função da correria. A lente que eu estava usando na foto ao lado era 45mm, o suficiente para não caber a cidade toda no mesmo quadro. Triste! :-(

Ficamos um tempo parado aí admirando a paisagem. Muitas pessoas me disseram, assim como li muito na Internet, que ao se chegar em Machu Picchu, especialmente nesse ponto onde fiz a foto ao lado, se sente uma energia inexplicável. Talvez seja isso que leve tanta gente a Machu Picchu. O fato é que eu não senti nada disso, o que não me estranhou, claro, pois sou bastante cético. Mesmo não sentindo a tal energia dos deuses, fiquei maravilhado com o que estava vendo. A construção da cidade é majestosa. Logo surge a primeira pergunta: como aqueles doidos construíram isso aqui em cima, carregando essas pedras gigantes? Certamente deviam ter algum propósito muito forte e divino, porque deve ter dado um trabalho e tanto.

Para mim, nada que o homem possa ter construído chega aos pés do que a mãe natureza construiu. Na verdade, eu estava muito mais encantado com a beleza natural daquele monte de montanhas desenhando um cenário estonteante, do que com a cidade em si. Eu sempre fui louco por montanhas e nunca tinha estado tão perto de algo tão impressionante. A altura dos picos é impressionante. Só por isso, a viagem toda já vale a pena. Isso sim é coisa de Deus!

As oportunidades fotográficas em Machu Picchu são incontáveis. Decidi não metralhar muito para não sofrer demais depois tratando tudo. Fui fotografando numa linha mais seleta e apagando algumas coisas na própria câmera, já fazendo uma pré-seleção. O resultado final está na galeria de fotos de Machu Picchu e me pareceu bem bacana até.

No próximo post, vou falar um pouco mais na cidade e do passeio por ela, e emendo na sequência o Vale Sagrado dos Incas. Já adiantando, esse último foi uma grande e agradável surpresa.

Abraços.

Cusco, dia 2

Sunday, September 14th, 2008

Dia 16, nosso segundo dia em Cusco, tínhamos a obrigação de acertar a ida à Machu Picchu. O tal agente de turismo ficou de ligar e não ligou. Liguei para o cara e a mesma enrolação, então decidimos desistir e procurar uma alternativa pela Plaza de Armas mesmo. Basta você pôr seus pés na Plaza de Armas para uma multidão de agentes de turismo pular sobre você, oferecendo todos os pacotes turísticos possíveis. Pegamos alguns papeizinhos para ver as opções. Na verdade era tudo igual e fizemos a escolha de forma muito racional, pelo uni-duni-te.

Chegamos na agência do Sr. Fabian, velhinho peruano muito gente boa e super atencioso. Explicamos a situação, que tínhamos os dias contados e tal e analisamos as possibilidades. Ele comentou o que já sabíamos, que o mais complicado era ter o ticket de trem. Tendo isso em mãos, o resto seria barbada. A PeruRail só vende tickets sem intermediários, então tomamos um táxi e fomos para a estação ver o que havia. Conseguimos vaga no trem de partiria de Ollantaytambo (13°15′47.30″S, 72°16′10.49″W) no domingo às 8h30, chegando em Machu Picchu Pueblo (Aguas Calientes - 13° 9′18.53″S, 72°31′27.05″W) antes do meio-dia. Não havia volta no mesmo dia, então conseguimos vaga no trem que partiria de lá segunda-feira às 5h30 na manhã para Ollantaytambo. No início do nosso planejamento da viagem, consideramos a hipótese de dormir em Machu Picchu Pueblo nesse dia, então Tatiana já tinha uma reserva num hotel lá. :-) Finalmente resolvemos o principal problema, que era o do trem. Voltamos ao Sr. Fabian com os tickets em mão para acertar o resto dos detalhes.

A grande maioria dos trens para Machu Picchu parte de Ollantaytambo, e não de Cusco. Ollantaytambo está a 2800 metros de altitude e Cusco a 3400 metros. Essa descida é muito lenta de trem, então há poucas frequências por dia. O melhor é ir de carro até Ollantaytambo, que é onde termina a estrada. Daí em diante, não existe outra alternativa que não trem. Como o caminho é mais plano até Machu Picchu Pueblo (2400 metros), há mais frequências diárias nesse trecho.

Montamos o seguinte pacote então com o Sr. Fabian: ida de táxi de Cusco a Ollantaytambo, ticket do ônibus para subir e descer de Machu Picchu, guia turístico em Machu Picchu, volta de táxi na segunda-feira de Ollantaytambo a Cusco fazendo todo o Vale Sagrado dos Incas de forma reversa. O motorista do táxi seria um guia turístico habilitado. O pacotão todo saiu uns US$ 310,00 pra nós dois, já com as taxas de entrada a Machu Picchu, que é US$ 45,00 por cabeça. Facada! O trem ida-e-volta pra nós dois ficou US$ 182,00, super facada também!! Com isso tudo resolvido, ficamos bem mais aliviados. Seria o fim da picada ir ao Peru, ir a Cusco e não ir a Machu Picchu por causa de um detalhe. Mesmo sabendo que vou voltar lá outras vezes, não queria perder esta oportunidade.

Como tínhamos praticamente todo o sábado livre, compramos um city tour de ônibus para conhecer mais a região ao redor de Cusco. Se você for a Cusco, não menospreze um city tour. É super barato, como US$ 15,00, e vale muito a pena. Infelizmente, muita gente acha que o Peru, especialmente a região de Cusco, é só Machu Picchu. Tem muito mais coisas fantásticas pra conhecer. No final dos relatos, eu falo melhor sobre isso e a minha opinião.

A primeira parada do tour foi no Qorikancha - Templo do Sol (13°31′12.69″S, 71°58′32.42″W), que na época Inca foi o templo mais importante da cidade de Cusco. Depois da chegada dos Espanhóis, eles construíram o Convento de Santo Domingo sobre o templo. Legal o lugar, mas nada demais.

O destino seguinte foi Saqsaywaman (13°30′27.84″S, 71°59′0.01″W), que foi uma fortaleza cerimonial dos Incas, construída no século XV. O lugar é todo feito tradicionalmente com pedra sobre pedra, sem nenhum tipo de rejunte. É assustador a perfeição do encaixe das pedras, ao ponto de não entrar uma simples agulha entre elas. A técnica de corte e polimento das pedras pelos Incas é impressionante. Clique na foto ao lado o observe bem os encaixes e o tamanho delas, sempre levando em consideração que isso foi feito há mais de 500 anos. Os guindastes foram criados bem depois disso. Há um artigo na Wikipedia bem interessante sobre o lugar.

Na sequência, fomos ao Q’enqo (13°30′31.70″S, 71°58′14.30″W), que foi um anfiteatro Inca, também usado para armazenar a Chicha, que é uma famosa bebida fermentada feita de milho, muito boa, muito servida até os dias de hoje.

Seguimos então até Tambomachay (13°28′51.27″S, 71°57′52.71″W), que é um sítio arqueológico que foi destinado ao culto da água, onde os Incas tomavam seus banhos sagrados em fontes de água que descem dos picos nevados. O mais interessante é que as fontes estão funcionando perfeitamente até hoje. O complexo é feito de vários canais de água. Há um certo canal sagrado que se divide em outros dois secundários, os quais jorram precisamente o mesmo fluxo de água. Coloque um copo em cada e eles vão se encher exatamente ao mesmo tempo. Tambomachay foi o ponto mais alto de toda a nossa viagem ao Peru, onde atingimos 3800 metros acima do nível do mar.

Na volta ao centro de Cusco, paramos para ver uma vista bonita logo após o pôr do sol. Eu estava observando as montanhas ao redor, quando milagrosamente, olha quem vinha por trás delas, a Lua Cheia. De arrepiar!! Algumas pessoas não acreditaram no que estavam vendo. Seguramente uma das visões mais lindas que eu já vi na minha vida. São coisas que só a natureza pode proporcionar.

Chegamos no hotel bastante cansados, jantamos e dormimos cedo. 5h30 da manhã de domingo o taxista passaria no hotel para nos apanhar e seguir até Ollantaytambo, assunto do próximo post.

Saludos!

Por Cusco

Monday, September 1st, 2008

Emendando o último post, dia 15 acordamos cedo e fomos para o aeroporto. Nos recomendaram chegar sempre 2 horas antes do voo, mesmo que seja doméstico, porque as filas nos aeroportos peruanos são sempre grandes. Nosso voo era próximo das 8h30, então deixamos o hotel pouco antes das 6h. Perguntamos na recepção do hotel se chamariam um táxi para nós. Como eu já esperava, a resposta foi ir até a esquina que logo passaria um, mesmo sendo 5h45 da madrugada. De fato, não esperamos nem 5 minutos.

Como chegamos bem cedo no aeroporto Jorge Chávez, praticamente não havia fila no check in da Star Peru, companhia aérea peruana que nos levaria até e Cusco. Os voos pela Star Peru normalmente são bem mais em conta que nas tradicionais Lan e Taca. Em contrapartida, eles operam aeronaves bem mais velhas. Nosso voo foi num Boeing 737-200, antigo mas bem cuidado. Embarque e decolagem no horário, tudo bastante rápido e prático.

Lima, pra variar, sempre cinza. Decolamos da pista 15 e mantivemos a proa da pista (sudeste) por vários minutos, até livrar uma altitude segura pra sobrevoar as cordilheiras. Em seguida que dobramos pra interceptar nossa aerovia pra Cusco, já impressiona a altitude das montanhas e vários picos nevados. Voamos a 35.000 pés, sempre com uma vista estonteante.

O aeroporto de Cusco é um dos mais altos do mundo, a 10.860 pés (3.310 metros) de altitude. Nessa altura, o ar é extremamente rarefeito, então qualquer manobra voando deve ser feita com muito cuidado e geralmente muita velocidade. Antes de decolarmos em Lima, consultei as cartas aéreas de Cusco para ver como seria a aproximação. Embora Cusco esteja a 3400 metros em média, a cidade é um “buraco”, pois está cercada de morros na casa dos 4500 metros. Em função disso, não existe aproximação por instrumentos (ILS), pois é impossível projetar uma longa final em nenhuma das cabeceiras da pista. Sempre vai haver um grande morro a frente. A pista em cusco é a 10-28 (leste-oeste) e só há operações de um lado. Todos os pousos são na 28 e todas as decolagens são na 10, não interessa o vento. É assim pois a única forma de aproximar, e afastar, é a leste-sudeste do aeroporto, onde há um pequeno vale que se pode voar “baixo”. Esse vale não está exatamente na reta da pista. O procedimento de aproximação obviamente é visual. Sobrevoamos o setor sul do aeroporto, circulamos no tal vale, no setor leste, e viemos pra pouso. O alinhamento final é feito próximo à cabeceira, pois há um morro enorme atrás dela. Detalhe: toda essa manobra foi feita mantendo 450-500 km/h. Full flaps só na final, e tocamos na pista a 310 km/h, medidos pelo GPS (ground speed). Muito sinistro. Definitivamente não é qualquer piloto que opera por aqui, ainda mais com um jato.

Chegando em Cusco, e até mesmo já no avião, percebemos a invasão turística do local. A quantidade de japoneses no voo era algo. O aeroporto de Cusco é pequeno, mas é bem arrumadinho. Esperamos poucos minutos para ter nossas malas. Nos dirigimos a uma cabine de táxis e negociamos o táxi até o hotel. Lembre-se que não existe taxímetro por aqui. 6 soles (algo como R$ 3,00) até o hotel, e não era perto. O motorista era muito gente boa, e como era de se esperar, um peruano muito nacionalista (todos são). Brasileiro é muito bem-vindo em qualquer lugar, e ele naturalmente ficou feliz de saber de onde éramos. Nos dirigiu até o hotel falando muito sobre o que podíamos fazer pela região. Enfim, toda a região de Cusco vive praticamente do turismo, e eles se esforçam para tratá-los bem.

Cusco é uma cidade bastante pobre. Seus 350 mil habitantes vivem direta ou indiretamente do turismo. Muita gente vive do artesanato. A quantidade de gente vendendo de tudo nas ruas é impressionante. As pessoas abordam bastante, inclusive crianças pequenas vendendo de tudo. Algumas até imploram para que você compre algo. Chega a dar pena.

A primeira coisa que se percebe ao chegar em Cusco obviamente é a altitude, especialmente para quem não está acostumado. Desde que eu nasci, vivo ao nível do mar, e qualquer coisa acima de 700 metros é considerado serra no Brasil, ou seja, ninguém no Brasil sabe o que é mal de altitude. Na Costa Rica, eu já havia estado por uns momentos a 2800 metros, e senti bastante cansaço ao caminhar. Aqui é tudo ao redor de 3400 metros. Você percebe rapidamente que a sua frequência respiratória e cardíaca aumentam, especialmente ao fazer qualquer esforço, como subir uma escada. Ao chegar no hotel, na verdade uma hospedaria, tinha que subir um lance de escadas. Nunca senti a minha mala tão pesada. Parecia que tinham enchido ela de pedras. Bastou um vão de escada para me deixar com falta de ar e o coração tum-tum-tum-tum. Sempre que os locais recebem um visitante em Cusco, é tradição oferecer antes de tudo um chá de coca, que é um santo remédio para altitude. Todos os hotéis fazem a mesma oferta. Obviamente não dispensamos. :-)

Nos hospedamos na “Hospedaje Monte Horeb”, que fica na rua Juan de Dios (13°31′1.24″S 71°58′53.14″W). Tudo bem arrumadinho, quarto privativo, água quente e Internet wireless. O melhor era a localização, a 200 metros de Plaza de Armas, centrão de Cusco. Hospedagem em Cusco é relativamente tranquilo, pois há milhares de opções, desde hotéis mais tradicionais, e mais caros, até albergues da juventude, bastante baratos. Embora essa região seja uma das mais visitadas do mundo, não existe uma exploração turística muito absurda em termos de preços, pois a maioria dos hotéis e restaurantes é de gente local. Também porque a quantidade de mochileiros é enorme, e essa galera geralmente viaja com grana curta. Pelo jeito, os turistas curtem muito essa coisa de tudo ser regional. Eu, particularmente, acho excelente. Por incrível que pareça, não vi nenhum McDonalds em Cusco. Em Lima, há por todo canto, assim como Starbucks e outras grandes cadeias multi-nacionais.

Nossa estadia em Cusco seria até o dia 20, quarta-feira, para dar tempo de ir a Machu Picchu e conhecer algo do vale sagrado dos Incas. O grande problema é que não tínhamos nada certo para isso. Tentamos comprar os tickets de trem para Machu Picchu via Internet, mas a concessionária da linha de trem, a PeruRail, só aceita cartões Visa que participam do programa Verified by Visa, algo raro no Brasil. O pior de tudo era que quase não havia mais vagas no trens, então tínhamos que correr para conseguir algo por Cusco mesmo. Nosso amigo Daniel nos passou o contato de um agente de viagens de Cusco que podia fazer a mão toda. Chegamos no hotel, arrumamos as coisas e fomos para rua, para conhecer algo do centro e ir até o tal agente.

Chegando na Plaza de Armas, havia uma festinha popular, com um bloco de gente fantasiada e músicos. Não sei exatamente o que estavam celebrando, mas estava bastante divertido e rendeu algumas fotos interessantes. Como carregavam a imagem de uma santa, suponho que fosse algo religioso. A Plaza de Armas é o ponto mais central de Cusco, onde “todo mundo se encontra”. Há algumas igrejas coloniais ao redor, várias agências de viagens, restaurantes, algumas hospedarias e muita gente vendendo de tudo. É um lugar bastante agradável de sentar e ficar observando o movimento de centenas de turistas, e muitos locais, pra todo lado.

Tínhamos o endereço da nossa agência de viagens, mas nenhum mapa nosso mostrava a tal rua. Pedimos informação e chegamos à conclusão de que o tal endereço estava além do mapa, logo era um pouco longe, mas dava pra ir caminhando. Fomos caminhando pela Av. El Sol (foto ao lado), que é uma das principais da cidade, concentrando repartições públicas, bancos, correios, etc. Depois de uma meia hora caminhando e pedindo informação, chegamos no tal lugar. Falamos com o tal agente, que nos deu algumas opções, mas não tinha certeza de nada. Resulta que nada se resolveu e ele ficou de nos ligar antes das 17h00. Como já era meio-dia, decidimos almoçar ali por perto mesmo. Almoço: cebiche e pescado, claro. :-)

Depois do almoço, voltamos tudo pela Av. El Sol, só que agora subindo a avenida. Era uma inclinação pequena, mas me sentia como subindo uma montanha. Como o clima é estupidamente seco nas alturas, o sol frita. A temperatura ao dia estava na casa dos 23 graus. Se você fica na sombra, sente frio, no sol, torra. O negócio mesmo é andar sob o sol, sempre usar um boné ou chapéu e óculos escuros, e claro, SEMPRE protetor solar. No caminho, passamos um centro de artesanato bem legal, onde as coisas eram normalmente mais baratas que com os ambulantes. Como à noite a temperatura é sempre próxima de zero graus, já comprei uma gorra de lã. Ia comprar uma manta também, mas nenhuma me agradou muito. A Tati comprou um casado de lã de alpaca bem legal. Isso no Brasil custaria uma fortuna. A lã é muito boa.

Embora um desafio físico nos primeiros dias, já no primeiro dia simpatizei demais com Cusco. É super agradável caminhar pela cidade. Como pode ser visto nas fotos, as construções são bem antigas e a cidade vive muito esse clima. Eu poderia citar Gramado e Paraty como cidades com um ar semelhante. O trânsito não chega a ser o caos total que é em Lima, mas o povo é o mesmo, e consequentemente, muito chegado numa buzina.

Como no primeiro dia não podíamos fazer muito esforço, ficamos caminhando sem rumo, conhecendo algumas coisas na volta e tomando fotos. Paramos numa praça para tomar café, e lá vinha outra bandinha de rua e uma festinha popular (foto ao lado). Pelo jeito, chegamos num dia animado na cidade.

Veja também: galeria de fotos de Cusco.

To be continued…

Dias seguintes em Lima

Sunday, August 24th, 2008

Na quarta-feira, dia 13, só tínhamos compromisso à tarde, que seria a última palestra de Tatiana no CONEIS. Como tínhamos a manhã livre, almoçamos e passeamos um pouco por Miraflores, região onde estávamos hospedados.

Até esse dia, não tínhamos nada de moeda local ainda, pois o evento estava cobrindo todas as nossas despesas de alimentação. A facilidade de trocar dólares ou euros no Peru é incrível. Há inclusive gente ambulante na rua fazendo câmbio. O dólar circula oficialmente na economia. É possível inclusive sacar dólares em qualquer caixa automático.

Almoçamos pela Av. José Larco, que é uma avenida onde ficam vários comércios de Miraflores. No início dessa avenida, junto ao Oceano Pacífico, fica um centro comercial chamado Larcomar, que é bastante interessante. Embora Lima seja uma cidade na beira do mar, boa parte dela está em torno de uns 100 metros de altitude. Essa camada de rochas vai até o oceano praticamente. O Larcomar foi construído justamente nessa encosta. Você entra pelo andar mais alto e vai descendo. Há vários restaurantes, lojas, museus, cinemas, etc. A vista é fantástica. No álbum de Lima há algumas fotos tomadas aí. Uma pena que Lima nesta época está sempre cinza. A umidade é muito alta, pois as nuvens estão mais baixas que as cordilheiras e ficam trancados sobre Lima.

Às 16h30 foi a palestra da Tatiana sobre o InVesalius. O pessoal ficou bastante interessado com a solução, e também bastante curioso com os modelos de prototipagem rápida apresentados, como pode ser visto nas fotos do evento.

Nossa participação no evento terminou nesse dia. Nos agradeceram a participação formalmente e nos presentearam com um bonito troféu de vidro.

Na noite da quarta-feira fomos com Daniel até a Asociación Cultural Brisas del Titicaca, que é um clube bastante tradicional de Lima, onde se pode ver várias danças típicas. Vimos vários tipos de danças provenientes de diversas regiões do Peru. A dança mais típica do país é a Marinera, que pode ser vista no vídeo a seguir:

Fiquei impressionado com a habilidade do garoto. Depois daí, nos despedimos de Daniel, que viajou para Tacna, sua região natal, no dia seguinte.

A quinta-feira, dia 14, foi um dia todo livre em Lima. Fomos visitar o sítio arqueológico Huaca Pucllana, que fica em Miraflores, a uns 15 minutos de nosso hotel, caminhando. Coordenadas: 12° 6′40.70″S 77° 1′59.60″W. Huaca Pucllana é um sítio da Cultura Lima, que viveu entre os anos 200 e 700 depois de cristo, bem antes dos Incas. Parte do que eles construíram foi preservado nesse complexo. Os Limas foram uma das várias sociedades que existiram no Peru. Clique na foto ao lado para ver o álbum que fizemos aí.

Tatiana perguntou aí que outros lugares seriam interessantes de a gente conhecer em Lima. Nos recomendaram o Parque de la Reserva, que teria um espetáculo interessante de águas. Pegamos um táxi com um senhor muito simpático depois de perguntar se ele sabia onde ficava o tal lugar e negociar o preço. Ele nos comentou que o tal parque era bastante e bonito e tal. Não sei o que se passou pela cabeça do velho, mas ele nos deixou em outro parque, o Parque de La Exposición (12° 3′44.70″S 77° 2′10.08″W). Como a gente não sabia, saímos caminhando por aí e não achamos nada de interessante com água. Alguns minutos depois, perguntamos a um policial, que nos disse que estávamos no lugar errado. A sorte que o outro parque era perto, então fomos caminhando.

Entre um parque e outro, fica o Estádio Nacional (12° 4′2.39″S 77° 2′1.26″W), que é geralmente onde acontece os jogos da seleção peruana. Tentamos entrar para ver o campo, mas todos os portões estavam fechados.

Finalmente conseguimos chegar no Parque de La Reserva (12° 4′15.31″S 77° 1′58.54″W), onde fica o Circuito Mágico del Agua. O local foi construído há um ano e possui uma infinidade de jatos de água ornamentais. Pra quem curte água, vale a pena visitar. O negócio é muito bonito, especialmente à noite, quando eles misturam tudo isso com iluminação colorida, inclusive com efeitos de raios laser, tudo ao som de música clássica de fundo. É também um belo lugar para um bom desafio fotográfico. Fotografar água é super interessante, pois dependendo da velocidade do obturador, você extrai fotos completamente diferentes. Como você pode ver nas fotos que eu tomei, a maioria foi feita com velocidade baixa, em torno de 1/10s, para realçar o movimento da água. Na correria de viajar, esqueci o tri-pé da câmera em casa. Com ele, teria feito fotos espetaculares. :-(

Saímos do parque à noite e fomos jantar na famosa Calle de Las Pizzas, em Miraflores, onde várias pizzarias e outros restaurantes ficam lado a lado disputando os clientes, na sua grande maioria turistas, como nós.

Na sexta-feira, dia 15, voamos para Cusco, assunto do próximo post.

Abraços.